GESTÃO DE DESEMPENHO INDIVIDUAL NO GOVERNO FEDERAL: um survey com agentes implementadores em uma organização pública

Autores

  • Alba de Oliveira Barbosa Lopes Instituto Federal do Pernambuco - IFPE
  • Richard Medeiros de Araújo Universidade Federal do Rio Grande do Norte https://orcid.org/0000-0002-6718-8912
  • Maria Teresa Pires Costa Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Palavras-chave:

Gestão de Desempenho. Competência. Servidor Público. Gestão de Pessoas.

Resumo

O intuito deste artigo é descrever a percepção dos profissionais que implementaram o Plano de Gestão de Desempenho Individual em uma Estatal Federal quanto ao atingimento dos objetivos institucionais traçados pela Administração. Metodologicamente, foi um survey, com pesquisa documental. Os dados foram tratados por meio de estatística descritiva com testes não-paramétricos, e por meio de análise documental. Os sujeitos da pesquisa foram servidores públicos que acompanharam a execução do Plano de Gestão de Desempenho na matriz em Brasília e nos Comitês Regionais de Avaliação de Desempenho. Os principais resultados mostram que os objetivos da Gestão de Desempenho são divididos em: apoiar a implementação de ações estratégicas, subsidiar o desenvolvimento de iniciativas de educação corporativa, fundamentar os processos de movimentação de pessoal, valorizar o mérito profissional, desenvolver mecanismos de interação entre gestores e servidores, estimular o desenvolvimento de capacidades de autogerenciamento. No entanto, perceberam-se fragilidades em todos os objetivos, ao longo da análise, evidenciando que os servidores públicos (gestores e não gestores) ainda tratam o desempenho numa lógica afastada da reflexão para autodesenvolvimento, mérito e avanços na carreira suportados pela lógica da evolução salarial. Outro resultado é que a política de gestão de pessoas, quando trata da gestão de desempenho enfoca a gestão de talentos, no entanto não se visualiza o interesse em seleção de servidores para funções gratificadas por competências/aprendizagem. Conclui-se que o modelo de gestão de desempenho está dissociado do planejamento estratégico, tendo ainda que passar por ciclos de autoavaliação, com vistas a aperfeiçoar a prática do desempenho como algo próximo a performance funcional/organizacional/individual, o que deve ser algo de amadurecimento gerencial. Palavras-Chave: Gestão de Desempenho. Competência. Servidor Público. Gestão de Pessoas.

Biografia do Autor

Alba de Oliveira Barbosa Lopes, Instituto Federal do Pernambuco - IFPE

Professora da área de gestão e negócios do Instituto Federal de Pernambuco. Possui graduação em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco (2002), mestrado em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco (2005) e doutorado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2013). Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Análise de politicas públicas, Política público de turismo, responsabilidade social, processos de gestão.

Richard Medeiros de Araújo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutor em Administração pelo PPGA/UFRN (2012). Mestre em Administração pela Universidade Federal da Paraíba (2006) e Bacharel em Administração pela Universidade Potiguar (2002). Especialista em Gestão Estratégica da EaD pelo SENAC/SP. Foi docente na Fametro/Manaus, UnP/Natal e na FACEX/Natal esteve a frente da Coordenação de Marketing e Gestão Comercial, exerceu ainda a função de Assessor de Planejamento Acadêmico, Coordenador de Pesquisa e Extensão e Pró-reitor Acadêmico no UNIFACEX. É Avaliador dos Periódicos Journal of Hospitality Management and Tourism, Journal of Public Administration and Policy Research, Revista Eletrônica de Estratégia e Negócios, Revista Organizações Rurais e Agroindustriais, Revista Gestão Pública: Práticas e Desafios, Gestão e Regionalidade e Ensaios FEE dentre outros . Exerce a função de Analista Administrativo da Companhia Nacional de Abastecimento do Governo Federal, trabalhando com gestão de pessoas e compras . Professor colaborador do PPGP/UFRN, Compõe o BAsis/INEP/MEC como Avaliador de Cursos. Membro do Grupo Estudos e Pesquisas em Gestão Institucional e Políticas Públicas da UFRN. Tem experiência na área de administração, com ênfase em mercadologia e gestão pública, atuando principalmente nos seguintes temas de pesquisa: ensino e pesquisa em administração, Políticas Públicas enfocando gestão pública, processos de agenda, formulação, implementação e de avaliação de programas governamentais. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6718-8912 

Maria Teresa Pires Costa, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1994), Mestrado em Administração pela Universidade Federal da Paraíba (2001), Doutorado em Psicologia, estudando Condições de Trabalho e Saúde do Trabalhador, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2012) e Pós-Doutorado em Psicologia da Saúde pela Universidade Estadual da Paraíba. Atualmente é professora efetiva do Departamento de Administração Pública e Gestão Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, docente e coordenadora do Mestrado em Gestão Pública do Programa de Pós-Graduação em Gestão Pública do CCSA e do curso de graduação em Administração. Tem experiência na área de Gestão Pública, Gestão de Pessoas, Gestão em Saúde e em Saúde Coletiva com ênfase na Política de Saúde do Trabalhador, tendo participado no período de 2012 a 2014 do Grupo Articulador do Projeto Vidas Paralelas - PVP-RN, iniciativa conjunta dos Ministérios da Saúde e Cultura, coordenado nacionalmente pela UNB. Atuou ainda como como docente na Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Materno-Infantil do Hospital Universitário Ana Bezerra no período de 2011 a 2015.

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Publicado

2020-11-23